As dores e o sofrimento causados pelo amor,
não levaram o homem a abrir mão da ilusão de que o caminho para encontrar a
felicidade é através do ato de amar. Quando há uma desestabilização ou conflito
referente a tal sentimento, o que seria sinônimo de plenitude e contentamento
pode se tornar um doloroso sofrimento manifestado pela angústia e melancolia
que acometem o sujeito.
Para Freud o ser humano vive uma constante
busca pela felicidade, usa de diversos meios para evitar o sofrimento, desde o
uso de álcool e outras drogas ao encontro de relações amorosas. Estas relações
proporcionam intensas sensações de prazer, fornecendo um modelo para a
felicidade, tornando o amor uma forma de plenitude. Dessa forma, para o autor,
o ato de amar torna o sujeito incapaz de lutar contra o sofrimento, e ainda
pode deixa-lo profundamente infeliz no caso da perda do objeto de amor. Tal
sofrimento ocasionado das relações com o outro é o mais penoso entre
todos.
A relação com o Outro carrega grande importância na constituição do
sujeito, da mesma forma que o sujeito é constituído através da presença do
Outro, ele pode se devastar por essa mesma presença ou ausência. A busca pela
felicidade por via das relações amorosas torna essa procura árdua e uma
realização tomada como impossível. Essa frustração se revela como sintomas de
diferentes formas.
Nasio acrescenta que a ruptura de um laço amoroso provoca um estado de
choque semelhante ao provocado por uma agressão física, originando imediatamente
um sofrimento interior, vivido como um dilaceramento da alma, como um grito
silencioso lançado na garganta. Esse irremediável sofrimento se dá porque o
amor ao próximo é um meio que o sujeito usa para preservar-se do sofrimento que
nasce da relação com o outro, para fugir da infelicidade alguns preconizam uma
concepção de vida que toma como centro o amor, na qual se pensa que toda
felicidade vem de amar e ser amado. Mesmo fazendo parte da constituição humana,
o amor é um motivo insuperável dos sofrimentos humanos, quanto mais se ama,
mais se sofre.
Nadiá Ferreira destaca que amar é dar ao outro aquilo que lhe
falta, o sintoma surge na tentativa de suprir essa falta-a-ser atribuindo as
relações amorosas a função de tornar os sintomas suportáveis. Apenas por
intermédio do amor, desse laço libidinal, podemos nos relacionar de forma mais
duradoura com os outros. A autora ainda fala que o amor tem a
função de sublimação, que é uma transição de um objeto imaginário a um vazio
real que, pode ser tratada também através da arte, religião e da ciência.
Na contemporaneidade, as relações amorosas estão se direcionando, ainda mais,
para a ordem do impossível. A capitalização dos relacionamentos tem limitado o
sujeito em suas expressões de sofrimento, tornando-os obrigados a procurarem
essas outras vias que possam dar suplência à dor de amar.

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