DISCRIMINAÇÃO E VIOLÊNCIA CONTRA A DIVERSIDADE SEXUAL


   
      17 de maio, dia internacional da luta contra a LGBTfobia. Essa data passou a existir após a retirada do termo “homossexualismo” da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 17 de maio de 1990, e objetiva conscientizar a população sobre a luta dos homossexuais, transexuais e transgêneros.
     Um levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), aponta que até o início deste mês, 117 pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) foram assassinadas no Brasil devido à discriminação à orientação sexual. O ano de 2016 foi marcado com o maior índice de assassinatos da população LGBT, totalizando 347 mortes. Cabe salientar que esse relatório é feito com base em notícias e informações que chegam ao conhecimento do grupo, levando em consideração os casos de violência que não são de conhecimento do grupo pesquisador, sabemos que os casos de violência contra essa população que vem sendo dizimada pelo ódio e pelo preconceito perpassam os dados estáticos aqui informados.
    A discriminação e violência contra a diversidade sexual é sustentada pelas crenças, atitudes e valores transmitidos ao longo das gerações pelo núcleo familiar, influências socioculturais, e diversos outros fatores, que são internalizadas no processo de desenvolvimento de todas as pessoas.
    Freud, já nos alertava sobre a necessidade de tolerância quanto às questões sexuais, e também sobre a dificuldade e o trabalho que a civilização teria para aprender a lidar com as reivindicações da nossa sexualidade. O sujeito inconsciente não tem sexo, o corpo que possui é sexuado e a primeira questão que se coloca diante do outro, é saber qual o sexo desse corpo que ele possui. Vemos essa preocupação presente em suas obras, no que diz respeito a seu empenho em frisar a libertação da humanidade para a pluralidade do seu desejo, como uma livre expressão da pulsão, rodeada muitas vezes de aprisionamento moral.
     Na contemporaneidade, as noções de identidade de gênero e orientação sexual têm sido articuladas pelos movimentos LGBTs, tanto em universidades, como nas escolas. Esse movimento é essencial, pois esses ambientes devem ser lugares fundamentais para a discussão, divulgação e estudos sobre sexualidade, demonstrando as lutas, modificações ocorridas em relação ao exercício da cidadania, e aos direitos conquistados e defendidos com o passar dos tempos pela questão da diversidade sexual.
     Ainda que tais discussões e movimentos tenham ganhado força, diariamente somos impactados com violências abruptas, mortes injustificáveis praticadas contra gays, lésbicas e transexuais, que revelam atos perversos, cada vez mais presentes em nossa cultura, a ponto do outro não conseguir ter sua própria dignidade por de fato ser quem o é.
     Em tempos de anulação do desejo, cura gay, e os demais tipos de tentativas de apagamento da subjetividade, consideramos a psicanálise uma proposta de se trabalhar tais questões, para além de certo e errado, normal e patológico, construtos frágeis e inviabilizadores que nomeiam e oprimem os modos de cada um vivenciar sua existência.

Comentários

  1. É chocante as diversas formas de tentar apagar a subjetividade humana, a sociedade contemporânea está robotizada. É tudo muito mecânico, sem relação ao afeto para com o outro. A falta de respeito e o individuolismo fecha a nossa visão para a existência do outro.

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    1. As relações se tornam cada vez mais frágeis e conflituosas em razão de tal robotização e alienação, acompanhadas pelo narcisismo exagerado presente em nossa cultura.

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