Podemos dizer que os sistemas de comunicações da atualidade tem produzido discursos e trazido noções de verdade para aqueles que se vinculam a essas informações, passando a ser importante espaço na construção de sentidos. A produção desses discursos dá a esses sistemas o poder de controlar, redistribuir e organizar tecnicamente elementos que se constituem para muitos como o real.
É assim também quando diz respeito ao corpo, pois há uma relação de múltiplos investimentos dos meios de comunicação direcionada para a ideia do “corpo perfeito”. Em parte, isso se deve ao fato do entendimento que temos do corpo enquanto o próprio lugar no nosso ser “no mundo emotivo, perceptivo e móvel”. Também refere-se, como efeito e causa, ao corpo entendido em sua constituição como social e cultural, este elemento que se experimenta transversalmente a situações e valores que são culturalmente construídos.
Além da ênfase na busca excessiva pelo o corpo perfeito, as mídias digitais estão sendo, cada vez mais, lugar de ampliação do consumismo. O corpo e a vida dos sujeitos tornam-se vitrines que buscam implantar o desejo de possuir aquilo que parece ser o melhor do mercado. Os conteúdos oscilam entre ajudar uma pessoa nos seus hábitos diários, indicar dietas e outras formas de alimentação, vender produtos de beleza que conduzem a uma idealização de se encaixar no padrão de beleza estipulado pela mídia. Tais conteúdos estão associados, principalmente, ao sentimento de alcançar a felicidade.
O corpo é um constructo social que, na atualidade, vem sendo moldado e modificado pelo fácil acesso que temos aos recursos ligados à boa forma, seja isso refletido na academia, alimentação saudável, entre outros. A ideia fundamental é mostrar como estamos livres para fazermos o que quisermos com nossos corpos, mas que ao mesmo tempo, estamos condicionados aos elementos de persuasão, como a comunicação.
Dentre os objetos desejados para consumo contemporâneo (celulares, carros, computadores e cartões de crédito), outro objeto se destaca de forma especial, o corpo. Este, é enquadrado, contemporaneamente, na lógica fetichista da mercadoria, à semelhança de qualquer outro objeto. Ainda mais agudamente que os demais, ele encarna uma promessa implícita de inclusão social, diferenciação, status, prazer, poder, amor e felicidade. A internet passa a ser um lugar na qual se vive suas fantasias, desviando do mundo real e ancorando-se na realidade pregada pela mídia social.
Freud menciona o corpo como um lugar de onde se originam sensações externas e internas. O Eu se desenvolve a partir do sistema perceptivo, sendo assim, só pode ser construído através do reconhecimento do mundo externo. A experiência evidencia que o que proporciona prazer é o que vem de fora e o que causa dor tem origem interna. O autor reitera e reforça a tese subjacente ao registro do corpo narcísico, isto é, que o corpo confere unidade ao Eu. O corpo a partir daí ganha um papel preponderante na constituição subjetiva, a ponto de ser inviável falar da constituição egóica sem fazer referência a ele.
O narcisismo se faz no exagero na contemplação da própria beleza, uma perfeição que jamais será encontrada em outro alguém, assim, o sujeito tende a olhar sua imagem e buscar mais beleza, concentrando seus investimentos libinais na busca incessante pela melhoria da sua beleza corporal. Outra vertente do narcisismo seria transferir a perfeição para outra pessoa, manifestando o amor em outro objeto tendo a opinião dele como primordição para a sua subjetivação.
Essa transferência da perfeição ao outro, de colocar o outro nessa posição de perfeição é marcante em nosso cotidiano, quando vemos pessoas comuns se tornarem famosas, admiradas, e idolatradas por mostrarem uma suposta perfeição através da beleza, do corpo, muitas vezes já construídos a partir do padrão cultural que é imposto hoje, sendo através de imagens, videos, e outros, compartilhados o tempo todo nas redes socias, servindo como inspiração e estilo de para outros.

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