Elucidar
questionamentos que envolvem a “loucura” ou “patologia” se fazem presentes em
nosso cotidiano. É comum ouvirmos discussões em torno do que é ser normal ou
não, daquilo que está dentro do padrão, tampouco ao que foge disso.
A
psicanálise trabalha através da concepção de que o sujeito se coloca a partir de estruturas clínicas, que irá demarcar
a sua forma de ser e se relacionar com o
seu desejo e com Outro. O termo “transtorno mental” não é utilizado aqui,
partindo do pressuposto que há diferentes possibilidades de estruturação, e estas
não se reduzem a uma patologia.
Sendo assim,
tudo irá partir da constituição individual que se apresenta. Consideramos
impossível classificar e diagnosticar algo da ordem psíquica sem que antes
possa ser investigado o modo que o sujeito se coloca frente ao seu desejo,
assim como, a posição assumida por esse no laço social. O diagnóstico
diferencial no tratamento psicanalítico tem como função primordial a direção da
análise, e não se coloca como uma classificação patológica, nem como resposta a
solicitações de diagnóstico.
Tudo o que possa ser identificado como sendo
pathos pertence ao ser humano, sendo o adoecer também uma possibilidade desse ser.
Por este motivo, os limites do patho-lógico devem ser interpretados para além
dos sentidos tradicionais que delimitam a noção de patológico na medicina
atual. Não se trata aqui de fazer apologia às patologias, anular o sofrimento e
a angústia dos humanos que se presentificam, por exemplo, nas experiências de
alucinação e delírio. Todavia, é possível pensarmos a manifestação do
sofrimento psíquico como a forma que o sujeito encontrou de estar no mundo,
resgatando a sua subjetivação.
Freud, nos chama atenção para a capacidade do
psicopatológico em desnudar e desvelar a estrutura, ou seja, o que é nomeado
com o patológico é capaz de deixar visível a composição estrutural do sujeito,
seu modo de ser.
A construção
de um delírio, por exemplo, pode se manifestar como uma tentativa de
reorganização do funcionamento mental do sujeito , um esforço que o aparelho
psíquico realiza no sentido de lidar com as rupturas, desorganização e traumas.
A realidade que se impõe pode não ser suportada, e tomada como intolerável, exigindo
a construção de uma nova realidade onde encontre um espaço para si.
É a partir
disso que o sujeito reconhece sua verdadeira constituição. Trata-se, da
necessidade de ultrapassar a concepção nosográfica, indo além das considerações
puramente descritivas e classificatórias. O sofrimento psíquico deve ser
investigado, tendo como fronteiras a subjetivação de cada um. Nenhuma forma de
entendimento absoluto da loucura tem lugar no cenário da constituição e
estruturação do sujeito.

Comentários
Postar um comentário