A FUNÇÃO DAS ENTREVISTAS PRELIMINARES

       Freud tratava das entrevistas preliminares como um tratamento de ensaio, que possibilita o analista fazer uma sondagem por certo período, considerado curto para o conhecimento do caso em questão, com o objetivo de desvelar o que o sujeito quer tratar, e se este é, dessa forma apropriado ao processo analítico. Uma vez que o processo de uma tentativa de cura fracassada é interrompido neste período os prejuízos serão menores, que se houvesse uma ruptura mais adiante. Por tanto, tal ensaio já faz parte do inicio de uma análise e é caracterizado por perguntas, durante a sessão, com tempo indeterminado.
       Nesse sentido, o sofrimento psíquico não é o único fator importante para que se inicie uma análise propriamente dita, para isso é necessário que o sujeito questione-se sobre o seu sintoma nas primeiras entrevistas como um pedido de ajuda, endereçado ao analista, possibilitando o que chamamos de “retificação do seu sintoma”, para que a partir dai se inicie um trabalho, a partir do seu interesse em saber sobre si e sobre o seu inconsciente, com a suposição de que o analista tem um saber sobre isso. .
         Em meio a esse processo, para a psicanalista Denise Maurano, a função do analista é justamente direcionar o analisando nessa escuta e investigação da sua própria fala para que esse venha a se questionar a partir destas, é esse efeito de desejo que irá colocar o analista em ação, o que acontecerá após essa etapa irá depender do percurso tomado, mas o analista deve se colocar diante disso e fazer o que lhe deve ser feito. È preciso atentar-se para a possibilidade de o sujeito está escutando o que diz, algo de si, para que possa certificar-se no seu próprio discurso.
         É por dá ao analisando o espaço da fala e escuta que o analista não deve tomar o discurso do paciente, intrometer-se ou questiona-lo. A associação livre veio para dar voz ao sujeito, ao seu desejo sendo trocada pelo tratamento de sugestão, pela ênfase que é dada a particularidade de cada sujeito em análise.
          As entrevistas preliminares irão trazer o sintoma que o paciente quer tratar, mesmo que este não o diga conscientemente. Para a psicanalise o sintoma não esta a li à toa, ele veio responder a algo, através da melhor solução encontrada pelo sujeito, seja ela qual for. O que deve se evidenciar é a que este sintoma está respondendo, e não o que é tal sintoma. Sendo assim, esse processo pode ser dividido em dois tempos: O tempo de compreender e o tempo de concluir, esse ultimo dará ao analista a decisão de acatar ou não determinada demanda em análise.

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