Nas últimas décadas a palavra “psicossomática” passou a ser usual no meio médico e psicológico quanto no meio da comunidade científica, porém desde as manifestações de conversão da histeria reveladas por Freud, no início da forma do pensar psicanalítico, colocam os analistas frente às questões do adoecimento do corpo.
No fenômeno psicossomático, o corpo é afetado em sua realidade orgânica e funcional, sendo tal manifestação capturadas por exames clínicos, laboratoriais e imagéticos. As lesões psicossomáticas são caracteristicamente enigmáticas, pois tanto podem aparecer repentinamente e do mesmo modo que se apresentaram vão embora. Ou, ainda, podem se agravar e colocar em risco a vida do sujeito.
As indagações sobre as relações entre o psíquico e o somático percorrem toda a obra de Freud. Os primeiros trabalhos sobre a histeria permitiram-lhe reconhecer a influência do funcionamento psíquico nos sintomas somáticos, onde se evidencia a relação entre histeria e sexualidade, apresentando-se também a noção de conversão, através da qual o conflito psíquico seria transposto para o soma, carregando o sintoma de significado simbólico.
O conceito de conversão somática seria uma junção do psíquico e do físico remetendo a outra cena. Freud denominou conversão a uma manifestação somática idêntica ao desejo em que está em jogo uma satisfação substitutiva de uma fantasia de conteúdo sexual e onde esta outra cena fala do sujeito através de seu corpo.
O sofrimento humano é uma extraordinária manifestação da unidade da vida humana. Não se sofre só no corpo, nem apenas psiquicamente. Os processos psíquicos são "apoiados", como dizia Freud. É, portanto, preciso distinguir que nem todas somatizações são da mesma ordem, já que as somatizações histéricas não afetam o real do corpo, embora possam paralisá-lo, cegá-lo, anestesiá-lo, entre outros danos. Os episódios psicossomáticos, muitas vezes, são tratados por profissionais da área médica que, na maioria dos casos, partem do olhar biomédico centrado na noção de organismo e de patologia não considerando o adoecimento psíquico do sujeito.
A abordagem dos fenômenos psicossomáticos é complexa e não comporta visões unilaterais, já que, especialmente, a gravidade de certos casos exige um amplo olhar sobre o sofrimento e as possibilidades de um tratamento que exige um acompanhamento multiprofissional do caso.

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