ESTRUTURAS CLÍNICAS

         Embora esse termo e expressão não sejam utilizados com frequência na obra de Freud, eles estão implícitos nela. O termo “estrutura” e a expressão “estruturas clínicas” surgiram em psicanálise no o início do ensino de Lacan. Desde Freud, é dada importância ao diagnóstico diferencial, isso porque se sabe que ele serve de orientação para a condução da análise, sendo fundamental para a direção do tratamento. Lacan ratifica essa importância explicitada por Freud e a partir disso, fala-se muito em diagnóstico diferencial estrutural.
          Em psicanálise o diagnóstico serve como um guia quanto á condução do tratamento, possibilita uma visão sobre qual caminho irá se seguir em análise. As estruturas clínicas relacionam-se aos modos de negação apresentados pelo sujeito no complexo de Édipo, que se constituem nos tipos: neurose, psicose e perversão.
     Joel Dor em suas contribuições acerca da conceituação das estruturas clínicas, diz que as correlações existentes entre sintoma e a identificação diagnóstica supõem a entrada em cena de uma cadeia de procedimentos intrapsíquicos e intersubjetivos, que dependem da dinâmica do inconsciente. Esta dinâmica jamais se desenvolve no sentido de uma implicação lógica e imediata entre a natureza do sintoma e a identificação da estrutura do sujeito que manifesta este sintoma. É com a estrutura que se deve contar para se estabelecer um diagnóstico.
        Dessa forma, a psicanálise estuda, reflete e trabalha as hipóteses diagnósticas partindo desses três grupos de estruturas clínicas. Cada uma dessas estruturas apresentam um discurso, um posicionamento frente as experiências vivenciadas pelos sujeitos, mecanismos de defesa psíquicos, sintomas e sinais característicos quando o seu desejo se faz presente. É a partir desta postura e discurso que o sujeito se insere na linguagem.
         Como salienta Joel Dor, essa estruturação psíquica constitui uma organização definitiva. Porém, uma coisa é a estrutura ser irreversivelmente determinada, outra, é ser a economia do seu funcionamento sujeita avariações. Não podendo esquecer que somos sempre como sujeitos, efeitos do significante, a estrutura trabalha na tendência dos efeitos dos significantes e nós em nada dominamos.

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