A ADOLESCÊNCIA E O LUGAR DOS PAIS

          Muito se fala sobre o adolescer e de que forma os podem contribuir nesse processo de transição da infância para a idade adulta dos seus filhos. De acordo com a psicanalista Sônia Alberti, a função e a presença dos pais nessa etapa são de suma importância, pois o adolescente mesmo em meio a tantos conflitos com os pais necessita destes, para que se possa acontecer o processo de separação. Se houver a ausência dos pais o adolescente não terá a chance de escolher se continuará em uma relação simbiótica com os pais ou não. Dessa forma, os pais precisam está presentes para que o adolescente faça tal escolha.
        A adolescência se constitui acompanhada de mudanças, que envolvem ressignificações subjetivas de diferentes ordens. Nessa fase, o adolescente reedita vínculos e sentimentos primários em relação em relação às figuras parentais, reforçando , dessa maneira, a sua identidade. A queixa da maioria dos pais perpassa pela angústia e confusão vivenciadas nas relações com seus filhos durante essa fase, tendo em vista que irão aparecer questões no que diz respeito a separação , modificações de lugares e papeis na estrutura familiar, o choque real de que os pais não são perfeitos, mentem e não são super- heróis, além de outras frustações que poderão surgir no decorrer do crescimento e escolha dos filhos.
           Nesse período, o equilíbrio da imagem corporal infantil estável até então, também é colocado a prova, com o aparecimento das modificações no corpo adolescência. Surgem novas atribuições, de novos sentidos ás experiências, desvinculação de ideias, enfim, todo um (re) desenvolvimento da vida subjetiva apresenta-se com confusões e conflitos.
       Quando se inicia o processo de separação geralmente vem acompanhado de conflitos, pois os adolescentes sabem dos pontos fracos, dos erros que os pais cometem e faz uso disso criticando, manipulando e afastando os pais, durante esse processo, justamente para tentar separar-se, onde é desfeito a imagem, e o ideal de pais que se tinha na infância.
        Alberti ressalta ainda, que durante á tentativa do adolescente enfraquecer e afastar-se dos pais, é necessário que os pais permaneçam investindo nos filhos mesmo que lhes cause sofrimento, pois o contrário disso pode ocorrer uma não suportação desse aniquilamento através dos filhos, e consequentemente se identificaram fortemente com a perda narcísica.
      Para que nesse processo o adolescente consiga posicionar-se como sujeito do desejo, eles já sabem que os pais não o salvaram do desamparo fundamental, e que não existe uma relação que possa lhes proteger disso, nem mesmo a relação com os pais, e nem as que construíram a partir de agora. Por mais sofrimento que isto traga, deve-se pensar que pode haver uma relação de enriquecimento do outro em si, mas nunca uma proteção total ao desamparo.

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